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São Caetano sediará Pesquisa sobre Pílula do Câncer
Uma nova esperança. São Caetano do Sul por meio de sua universidade municipal, a USCS, será polo de estudos a respeito da fosfoetanolamina, conhecida como pílula do câncer.

O prefeito Paulo Pinheiro recebeu na quinta-feira (25/2), no Palácio da Cerâmica, o biólogo e pesquisador voluntário da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Bauru, Marcos Vinicius de Almeida, para acertar detalhes da parceria que permitirá pesquisar e testar os efeitos da substância no organismo de pacientes da região portadores da doença.

Na ocasião, o chefe do Executivo considerou que a iniciativa é benéfica para a humanidade. “Mais uma vez, São Caetano é referência na evolução da saúde pública. Nossa tarefa é ajudar a população e essa parceria beneficiará ainda a universidade, que ganha com a presença dos pesquisadores”, observou.

O reitor da USCS, Marcos Sidnei Bassi, destacou que aguarda a apresentação da pesquisa proposta por parte de Almeida para dar andamento ao processo, nas próximas semanas. “A expectativa é boa. Esse é o papel da universidade: ampliar o conhecimento, ainda mais em uma área tão crítica como essa”.

Almeida explicou que as pesquisas realizadas na USCS servirão como contraprova da terceira fase de testes com o composto químico orgânico, prevista para ter início dentro de duas semanas em laboratório particular em Cravinhos, no Interior de São Paulo, a partir da liberação de R$ 2 milhões por parte do governo estadual. “Quanto mais centros de estudos clínicos, mais pessoas teriam acesso à fosfoetanolamina de forma controlada. Porque é preciso ter acompanhamento médico do que está sendo feito”, disse ele.

O pesquisador esclareceu ainda que o estudo financiado é necessário para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) possa registrar a substância. A expectativa é que os primeiros resultados sejam conhecidos daqui um ano e meio. “O que sabemos é que a fosfoetanolamina tem efeito muito positivo para alguns tipos de tumores. Empiricamente, vem sendo utilizada por pacientes (estima-se que 200 mil no Brasil nos últimos 25 anos), só que estes não foram cadastrados. Precisamos catalogá-los”, concluiu.

Embora seja considerada possibilidade de cura para diversos tipos de câncer, a fosfoetanolamina não é um medicamento, já que não foi testada cientificamente em humanos. Ainda assim, sem novos métodos, pacientes recorrem à substância, distribuída no campus de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), via medida judicial. Caso da pedagoga e administradora Bernardete Cioffi, 56 anos, que descobriu um câncer de mama em 2013.

Depois de seu quadro clínico evoluir para metástase óssea e ter expectativa de vida de apenas seis meses, ela decidiu, por sua conta e risco, testar a pílula sobre a qual teve conhecimento nas redes sociais. Com a ajuda do genro advogado e da filha médica, a moradora da Capital conseguiu ter acesso à droga em setembro de 2015. “Meu estado físico estava extremamente debilitado. Sentia dor intensa, que não passava nem com morfina, então ficava na cadeira de rodas. Hoje, me sinto ótima. Meus marcadores tumorais baixaram e voltei a andar e a ter qualidade de vida”, afirmou a paciente.

FARMÁCIA-ESCOLA: A Farmácia-Escola da USCS (Farma-USCS) possui quatro funcionários e seis estagiários. Também contempla os 250 alunos do Curso de Farmácia em atividade de estágio supervisionado, onde manipulam medicamentos alopáticos e fitoterápicos, desenvolvem fórmulas e praticam a assistência farmacêutica ao dispensar o medicamento à população sulsancaetanense. Mensalmente, atende 2.000 pacientes e fabrica mais de 50.000 cápsulas sintéticas. Sua estrutura oferece condições de manipular medicamentos sólidos, semi-sólidos e líquidos, além de possibilitar a realização de processos que monitoram a qualidade dos medicamentos manipulados.